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Treino em Compaixão e Integridade – programa de 10 semanas

  • 08:00 PM
  • Rua S. João Bosco, 349

Amor e Compaixão são necessidades, não são luxos, sem eles a humanidade não sobrevive. (S. S. Dalai Lama)

O Treino em Compaixão e Integridade (TCI) cultiva valores humanos essenciais para o desenvolvimento individual, social e ambiental. Ao integrar várias competências, como autorregulação e autocompaixão, mas também compaixão e envolvimento com sistemas complexos, o TCI visa uma Integridade Compassiva: a habilidade de viver de acordo com os seus valores próprios, a partir do reconhecimento de uma humanidade comum e de uma orientação fundamental para a gentileza e a reciprocidade. Viver de acordo com os seus próprios valores implica também uma investigação e um autoquestionamento, pois nem todos os valores promovem o bem-estar pessoal e social. Para essa investigação, usamos senso comum, a experiência pessoal e ciência. Integridade Compassiva não surge só de pensar sobre isso, resulta de conhecimento, de compreensão e do cultivar de um conjunto concreto de competências. Ao impedir ações que comprometem o nosso bem-estar e o dos outros, o cultivar de Integridade Compassiva na vida pessoal e na comunidade tem impacto direto no florescimento individual e coletivo.

 

Porquê Ética Secular?

Embora o TCI promova valores como compaixão e integridade, baseia-se numa abordagem secular da ética universal fundamentada em senso comum, experiência comum e ciência, e não numa cultura particular ou religião. Uma ética secular pode ser útil a qualquer pessoa, seja qual for o seu background, ao mesmo tempo que não entra em conflito com valores religiosos. A palavra “secular” não implica por outro lado um sentimento anti-religioso, mas sim  inclusividade e respeito por todos. Esta abordagem à ética tem sido defendida pelo Relatório Mundial da Felicidade publicado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, e por  individualidades como Sua Santidade o Dalai Lama.

 

Sobre o Programa

O TCI é baseado nos últimos desenvolvimentos no campo das neurociências, psicologia, cuidados integrados de Traumatologia, estudos sobre paz e conflitos e ciência contemplativa. É influenciado pelo trabalho de Daniel Goleman e Peter Senge, pelas iniciativas de Educação Sócio-emocional (SEL), e outras áreas. O Programa foi primeiramente concebido pelos Drs. Michael Karlin e Brendan Ozawa-de Silva do Center for Compassion, Integrity and Secular Ethics (CCISE) da Life University. O seu refinamento foi ainda possível pelo trabalho colaborativo de uma equipa de eruditos nestas áreas e por um conjunto de outros programas e protocolos baseados em resiliência, gratidão, compaixão e interdependência (designadamente nas Universidades de Emory e Stanford). O TCI começa com os conceitos fundacionais,  e apresenta 10 módulos, cada um focando numa competência particular. Cada módulo é organizado numa série, que por sua vez corresponde a um domínio.


O Programa é composto por 10 sessões de duas horas:

Conceitos fundacionais (antes da primeira sessão)
Série I: Relacionar-se consigo
1. Acalmar Corpo e Mente
2. Mindfulness ética
3. Consciência emocional
4. Autocompaixão

Série II: Relacionar-se com os outros
5. Imparcialidade e Humanidade Comum
6. Perdão e Gratidão
7. Empatia
8. Compaixão

Série III: Relacionar-se com Sistemas
9. Apreciar a Interdependência
10. Envolver-se com Discernimento

 

Modelo educacional

Cada módulo permite aos participantes progredirem através de 3 níveis de compreensão. No TCI, é importante que o conhecimento não se mantenha a um nível puramente intelectual; para ser efetivo deve levar a uma compreensão profunda e mudanças de comportamento. O conhecimento torna-se transformador quando vai da cabeça para o coração e daí para a ação. Os três níveis de compreensão são:

  1. Conhecimento recebido: aprendizagem de nova informação e clara compreensão de um tópico.
  2. Insight Crítico: quando o participante, através de exercícios e práticas, usa as suas experiências e razão e chega a uma  compreensão profunda, um insight, quando entende de que forma um conhecimento se relaciona com a sua vida. Aqui o conhecimento já é transformador.
  3. Compreensão Integrada: momentos de insight crítico podem não ser suficientes para mudar de hábitos, por isso uma compreensão integrada refere-se a um aprofundamento e maior internalização do conhecimento, de forma que se torna espontâneo, uma segunda natureza: não é algo que se sabe, é parte do que somos. Isto vem de uma prática regular e consistente e de uma reflexão continuada a partir do insight crítico. As mais recentes descobertas em neuroplasticidade e neurogénese mostram que uma prática contínua modifica a estrutura do cérebro e o funcionamento neuronal, sugerindo que é possível mudanças a longo prazo no corpo, no cérebro e no comportamento. É aqui que o conhecimento (incluindo o conhecimento e competências como autocompaixão, compaixão, integridade, etc.) se torna transformador a um nível profundo.

 

Informações práticas

quando: quintas-feiras das 20h às 22h, com início a 19 de Setembro (o curso decorrerá de 19 de Setembro a 21 de Novembro)

preço: para este programa praticamos preços escalonados

(inclui manual em inglês ou espanhol)

pré-inscrições: brevemente

Nota: Não é necessário ter experiência em meditação para participar; os participantes de outros cursos de meditação e mindfulness do CBP podem ver este programa como uma continuidade e um aprofundamento da prática, integrando competências implícitas noutros programas, mas não explícitas. Os lugares são limitados.

Os participantes receberão certificado (se tiverem participado num mínimo de 8 sessões)

 

Facilitadora: Margarida Cardoso

Começou a praticar meditação aos 14 anos e aos 24 comprometeu-se com um aprofundamento da prática numa comunidade budista laica, onde viveu cerca de 7 anos. Durante cerca de 9 anos foi a responsável pela delegação do Porto da União Budista Portuguesa. Nessa qualidade, teve a oportunidade de conhecer professores e mestres das várias tradições budistas, o que fortaleceu a sua abordagem inclusiva e não sectária do Caminho. Em 2000 iniciou uma prática dentro do budismo Zen e em 2008 tomou os preceitos (Jukai) sob a orientação de Roshi Zen Amy Hollowell. Tem a formação de instrutora de meditação Samatha-Vipasyana do Instituto Karma Ling (atual Sangha Rimay). Recebeu ensinamentos de (entre outros mestres) Sua Eminência o Dalai Lama, Dilgo Khyentse Rinpoche, Khandro Rinpoche, Mingyur Rinpoche e Ringu Tulku, e participou em (e em certos casos organizou) retiros orientados por Ajahn Nyanarato, Genpo Roshi, Roshi Catherine Genno Pagès, Roshi Amy Hollowel, Martine Batchelor, Adyashanti, Shingan Francis Chauvet, etc.

É responsável pelo Centro Budista do Porto e pelo projeto secular Centro de Meditação Dhyana, para a integração das artes contemplativas no mundo moderno. É professora de Mindfulness certificada, facilitando o programa MBCT (Mindfulness Based Cognitive Therapy). Tem formação em Mindfulness na Educação (currículo para crianças e adolescentes de Mindful Schools e o programa Still Quiet Place), Mindfulness na Comunicação e MBPM (Mindfulness-Based Pain Management – Breathworks). É facilitadora certificada do programa CIT (Compassionate Integrity Training) e é responsável pelo programa Mindfulness para Professores na Faculdade de Letras do Porto (cursos de Formação Contínua).

Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas, e com formação em Pintura, trabalhou profissionalmente em lexicografia numa editora, e interessa-se ainda por vegetarianismo, artes expressivas, escrita e criatividade, orientando desde 2001 workshops, cursos e retiros de meditação em que integra estas componentes.