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Budismo Zen

g030-largeO termo japonês Zen (em chinês Ch’an) é a forma abreviada de Zenna, derivado do chinês Ch’an-na, que por sua vez vem de Dhyana — “meditação” em sânscrito.

O Zen define-se geralmente em quatro aspectos:

— uma transmissão especial de mente a mente ou de coração a coração (os japoneses dizem ishin-denshin), fora do ensinamento ortodoxo
— a não-dependência de escrituras sagradas
— o apontar directamente ao coração-mente humano
— a realização da própria natureza, tornar-se buda

Segundo a história tradicional, esta transmissão ishin-denshin, deu-se durante um dos ensinamentos de Buda Shakyamuni, em que o Buda, com um sorriso, mostrou uma flor de lótus dourada, e não disse nada. Ninguém se pronunciou, excepto Mahakashyapa, que respondeu com outro sorriso.

Desde então, essa transmissão de “mente a mente” passou por vinte e oito gerações de patriarcas, até que o indiano Bodhidharma, para alguns, mais mítico do que real, levou essa tradição à China e fundou a escola de Dhyana. Surgiram posteriormente vários tipos de escolas Zen na China, Coreia, Japão e Vietname.

As escolas Zen mais conhecidas no Ocidente são a escola Soto e a escola Rinzai. Ambas se centram na prática da meditação sentada (zazen), embora a escola Rinzai dê também grande importância à prática dos koans. Os koans consistem na sua maior parte em frases ou histórias enigmáticas, paradoxais ou mesmo absurdas que o estudante deve “resolver” mas cuja solução não se atinge pelo raciocínio. Os koans transcendem a lógica e os conceitos e visam romper os nossos condicionamentos. Uma vez que não podem ser solucionados pela lógica discursiva, os koans clarificam o praticante sobre as limitações do pensamento. Os koans são utilizados como um tema de meditação, incessantemente colocados pelos praticantes durante as sessões de meditação e, sempre que possível, ao longo do dia.

Ainda que avesso às definições, o Zen pode ser visto como uma prática de transformação dos processos mentais pela atenção dada ao presente. Nesse sentido as escolas Zen acentuam a integração da prática no dia-a-dia, aproximando-se neste sentido da escola Theravada. No Zen, utiliza-se ainda a meditação em andamento e a recitação de sutras como práticas complementares. Os retiros (sesshin), as entrevistas pessoais com o professor (dokusan) e as palestras sobre o Dharma (teisho) e o trabalho enquanto prática meditativa (samu) têm um papel igualmente importante no Zen.

Em resumo, a prática num Centro ou Mosteiro Zen geralmente consiste de recitações de textos sagrados (em particular o Sutra do Coração e outros textos ou sutras), da prática da meditação sentada e em andamento (zazen e kinhin) e de palestras sobre o Dharma (teisho), para além de samu.

Diz-se que o Zen é a essência do Budismo. Um mestre Zen japonês disse: “O Zen nasceu e cresceu na Índia, floresceu na China e deu fruto no Japão.” Mas não é assim tão simples. O Zen é a prática que nasceu da experiência do Buda Shakyamuni, o qual despertou para a realidade última da vida (o não-eu). Como tal, o Zen não pertence a nenhuma seita religiosa em particular. Podemos até encontrá-lo no Cristianismo, no Hinduísmo, nas cartas de S. Paulo, por exemplo, ou nas biografias de Ramakrishna. Por favor, não tirem nenhuma conclusão por eu ser um monge budista; em vez disso, descubram e realizem a raiz da vossa prática Zen através deste encontro quotidiano Aqui-Agora.
Mestre Zen Hôgen Yamahata, Folhas Caem, um Novo Rebento

 

Em Portugal há vários grupos ligados ao Budismo Zen. No Centro Budista do Porto, temos atividades organizadas pela Sangha Zen Camélia Branca (tradição do Zen Vietnamita segundo Tich Nhat Hahn) e pela Associação Zen Flor Silvestre (Escola Soto do Zen).

 

Margarida Cardoso

Texto da responsabilidade do Centro Budista do Porto; se o quiser usar, mencione a fonte.