Budismo Ocidental

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As formas de budismo precisam mudar para que a essência do budismo possa permanecer inalterada. Esta essência consiste em princípios vivos, que não suportam nenhuma formulação específica.
Thich Nhat Hanh

A expressão “Budismo Ocidental” não corresponde evidentemente a nenhuma escola budista, mas sim a formas vivas de estar e de pensar, movimentos, grupos e percursos que decorrem do encontro do Budismo com o Ocidente, pois, como já muitos afirmaram, esta é realmente uma época fascinante, em que pela primeira vez “todas as escolas existentes de budismo coexistem juntas, bem de perto, esbarrando umas nas outras, num só lugar e numa só época” (Lama Surya Das). O budismo sempre se transformou pela interacção com as culturas em que se integrou; ao mesmo tempo, essas culturas transformaram-se ao interagir com o Budismo… “O Dharma sempre retém a sua essência, ao mesmo tempo em que se reinventa, para permanecer aplicável, acessível e relevante.” (Lama Surya Das, O Despertar do Buda Interior)

Para os ocidentais, trata-se de uma posição muito pragmática, de responder a uma pergunta muito simples: “O que funciona?” –  O que funciona para libertar a mente do sofrimento? O que funciona para desenvolver um coração compassivo? O que funciona para despertar?

Incluimos nesta designação correntes como as de Um Dharma,  de Joseph Goldstein, que visam experienciar o ponto essencial comum a todos os ensinamentos, o budismo agnóstico de Martine e Stephen Batchelor, que considera o budismo uma cultura de despertar em permanente evolução e não um sistema religioso baseado em dogmas e crenças, o Zen ocidental de Éric Rommeluère, que mais uma vez procura a essência do zen e não a cultura de onde foi importado, ou ainda as pontes construídas pelo diálogo interreligioso, por exemplo, de cristãos que são ao mesmo tempo professores Zen. Incluimos ainda todos aqueles que se questionam, que procuram integrar os aspectos essenciais da prática budista, como a investigação, a compaixão e a sabedoria na vida do dia-a-dia, mas sem filiação religiosa.

O que é importante? O passado passou, o futuro é o importante. Nós somos os criadores. O futuro está em nossas mãos. Mesmo se falharmos, será sem arrependimentos. Temos que fazer o esforço… de cooperar com as pessoas, em vez de querer convertê-las. Sempre motivados pela altruísta bodhicitta, vocês ocidentais devem ser criativos ao adaptar a essência milenar do Dharma para a vossa cultura, a vossa época e as vossas circunstâncias. (S.S. Dalai Lama).

 

 

Margarida Cardoso

Texto da responsabilidade do Centro Budista do Porto; se o quiser usar, mencione a fonte.